Painel do Zéphir


POUCOS e MUITOS

Por que os ‘pés sujos’ na periferia devem fechar às 23:00,  se os bares chiques têm passe livre para as altas horas? Seria a violência suburbana mais violenta do que a engravatada?

 

Por que o transporte público não funciona de madrugada, se os automóveis individuais podem circular livremente? O direito de ir e vir do motorizado é mais sagrado do que o da maioria?

 

Por que o ‘baseado’ é reprimido na quebrada, se o ‘peguinha’ na ‘facul’ é passivamente tolerado pela polícia?

 

Perguntas como tantas outras, cujas respostas – se norteadas pelos princípios da igualdade e da liberdade – chegam facilmente à incongruências fundadas na dominação de poucos sobre muitos.

 



Escrito por ÉfeSilva às 06h57
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SEM JUÍZO

(Moreira, Miltinho e Zéphir)

 

 

Vem quando parece que já não escuto

Instiga o coração resoluto

Faz o que bem quer

Eu desfolho  malmequer

Num sofrer absoluto

 

Renasço, mas tenho um pé  atrás

Sofrer, pra mim, já é  demais

Na vida, o amor só faz  sentido

Se não der chance ao mal

Eu acredito....

 

Agora meu olhar está sem medo

Bem quer quem não lhe quis

Mas quer sossego

Talvez a sorte mude

Eu não vou tirar

Desfolhe ao vento e busque

Seu caminho, seu lugar

Já bem sei o que bem quer

Desprezo  malmequer

E a mágoa que me traz

 

E hoje vem querendo mais

Não vê que eu já me encontro em paz

Na vida, o amor não tem juízo

Refaz o bem e o mal desde o princípio



Escrito por ÉfeSilva às 08h59
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BATUQUE NA COZINHA, SINHÁ NÃO QUER

Irmã das ‘panelinhas culturais’ sobrepondo as relações pessoais dos artistas em detrimento da arte que produzem, a  hegemonia  de uma ‘estética’ tida como adequada engessa alternativas de expressão. Inquieta-me, por exemplo, a simbiose entre produtores musicais e técnicos de estúdio que acabam por ‘limpar’ o som do samba. Ressalvadas raras exceções, caso o sambista não tenha domínio técnico absoluto de modo a traduzir o que exatamente deseja para a conclusão final, o registro da música ficará comprometido: sem alma, sem as características únicas de sua percussão, sem respiração própria. Especificamente no caso do samba, parece que a percussão deve pedir licença para entrar no estúdio. Tida como fonte de ‘sujeira’, de ‘ruído’, os produtores e técnicos musicais jogam a percussão ‘lá pra trás’. Quanto menos se ouvir a batucada melhor, inda mais se for possível gravar uma mesma ‘base’ para todas as músicas. E eis o paradoxo: justamente no momento em que os equipamentos sofisticam-se e, em tese, deveriam estar cada vez mais à disposição do desejo autoral; existe uma estética e uma técnica do registro musical que colocam o gosto do técnico acima da pretensão artística. Querem saber do que falo? Peguem os discos de samba dos 70 e os comparem com os atuais -em muitos deles, inclusive, os percussionistas são os mesmos. Ouçam e percebam quais são mais belos e espontâneos, quais são mais humanos. Viram? Mas é aquele negócio, ‘batuque na cozinha, sinhá não quer’. Voltaremos ao assunto mais pra frente.



Escrito por ÉfeSilva às 09h33
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Marginais da Turiaçu: antes e após a baderna

Guardadas as devidas proporções, não se enganem: em geral, os relatos amplamente divulgados sobre episódios violentos em estádios de futebol e arredores não coincidem com a realidade dos fatos. Eles ocultam o desrespeito ao cidadão e o preconceito a quem é da arquibancada. Findo o  campeonato paulista, um dos  destaques da ‘imprensinha’, sobretudo em se tratando de PALMEIRAS CAMPEÃO, ficou com  o ENTRETANTO, com o MAS, com o APESAR: a violência envolvendo PM e torcedores. A versão que ganhou manchetes? Evidente: a mesma que é dada quando a polícia executa pobre e preto na ‘perifa’ simplesmente por se ser pobre e preto.  A    versão     da POLÍCIA,  a versão  do ESTADO, ganhou a ‘imprensinha’. Por isso,  sugerimos    que    você    leia outro   relato,     bem mais próximo  da   realidade   dos    fatos,  no excelente http://www.observatorioverde.net/2008/05/06/a-agua-no-chopp/ . Até porque, instantes antes da confusão, eu - um típico ‘vagabundo’ e ‘marginal’ nos dizeres do grande jornalista e intelectual Flávio Prado - estava lá a participar da festa na Turiaçu desde as 11:30 exibindo, juntamente com minha irmã, família e amigos, as armas que vocês vêem nas fotos acima.  Peço licença pela liberdade e agradeço desde já ao Tiago Soares e ao Rafael Evangelista do OBSERVATÓRIO VERDE www.observatorioverde.net  pelo trabalho.



Escrito por ÉfeSilva às 05h21
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RACISMO     NA     VIRADA   CULTURAL

Em ‘post’ de 26/04/2008 fizemos menção singela à VIRADA CULTURAL e alertamos, de passagem, um aspecto negativo ligado à organização dos eventos, qual seja o fenômeno das ‘panelinhas culturais’ que acabam por privilegiar as relações pessoais dos artistas em detrimento da arte que produzem. Mas deixemos esse assunto para outro dia. Ainda que, por problemas de saúde, não pudesse freqüentar nenhum dos eventos da VIRADA, estranhei o local das apresentações ligadas à arte negra: P. Dom Pedro (Palácio das Indústrias). Local de difícil acesso, a escolha cheirou-me a confinamento, a controle via segregação e isolamento espacial. Infelizmente, parece ser isso o que ocorreu. ‘Colo’ abaixo trecho do ‘post’ do camarada Selito SD que, em seu blogue: http://selito-sd.blogspot.com/, relata sua  experiência na VIRADA. Simplesmente revoltante.

 

(....) Realmente o local destinado à black music e hip-hop e, conseqüentemente, a um maciço contigente do povo preto pobre, foi pensado de modo a segregar confinadamente aos pertencentes a tal segmento da população. Pareceu-me, e comentei com meus companheiros, que tudo foi planejado para que se repetisse o conflito entre platéia e polícia ( a exemplo de 2007), pois o modo como os policiais se portavam (muito arrogantes) e que causou alguma tensão e sentimento de muita indignação em todos que foram submetidos a tal situação, de agudo desrespeito, dava a entender que eles, talvez, quisessem mesmo que houvesse uma explosão. E diferente do ano passado, não haveria como ninguém escapar-lhes.

 

 

Cabe ressaltar que quando entramos na Praça Sitiada fomos abusivamente revistados, contra o que me insurgi. Não gostei do modo (muito agressivo) com que o policial que me revistou me pediu para abrir a mochila da qual ainda reclamou por estar "cheia de muita coisa", dando a entender que isso lhe dificultava o trabalho. Ostensivamente perguntei-lhe se estava bravo e disse que realmente tinha sim muita coisa e fitei-o como quem diz: "E daí?!" Ele, talvez me achando um chato e ou pela carapinhha grisalha liberou-me a entrada sem mais... Fosse um garoto e, penso, levaria uma tapa na orelha e seria detido por... desacato a autoridade, talvez.

 

Ao, enfim, passarmos pela tropa, dirigimo-nos a uma barraca para comprarmos umas cervejas e, simplesmente, não tinha uma latinha sequer para ser vendida. Aliás, bebida nenhuma e nem havia previsão de chegada e a festa nem estava no auge. Foi lamentável... E pareceu-me tudo muito proposital, essa foi a impressão no pouquíssimo tempo que lá estivemos, cerca de 1 (uma) hora, por conta do adiantado estado de cansaço que experimentávamos e mais todo esse tratamento recebido.

 

Lembro ainda que quando saímos havia uma enorme fila para revista e um rapaz pedia aos policiais que, ao menos, organizassem melhor o processo que estava muito atabalhoada e muito demorado, o que irritava sobremaneira as pessoas. Como já disse, talvez fosse este o objetivo das autoridades... Quem sabe?!

     (....)                         

 

Visitem o http://selito-sd.blogspot.com/ e leiam as íntegras do relato do Selito SD  e do artigo do professor Dennis de Oliveira.



Escrito por ÉfeSilva às 13h05
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CHUPA ESSA MANGA, IMPRENSINHA!!

Vão dizer que o campeonato paulista é ‘paulistinha’, que o Palestra Itália deve ser interditado, que o elenco alvi-verde não é lá essas coisas. Quando falarem do Palmeiras, mesmo que o fato essencial seja positivo, destacarão como sempre um MAS, um PORÉM, um ENTRETANTO....  Sabemos: isso é coisa de quem desdenha. O importante é que a pedra no sapato dos adversários voltou a incomodar. Para desespero daqueles que, por um lamentável equívoco, não são palmeirenses, eu grito: PALMEEEEEEEEEEIRAAAS – CAMPEÃO PAULISTA de 2008. CHUPA ESSA MANGA, IMPRENSINHA!!!!!!!!!!



Escrito por ÉfeSilva às 05h50
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Com um, a gente acerta. A outra?

Deixa,    que   a   natureza   cuida.

Combinação de bêbado é tão confiável quanto mulher com excesso de ciúme. Os megalômanos compromissos firmados em alto estágio etílico são até engraçados, sobretudo se você for um dos protagonistas da bagaçada. Mas não os leve a sério. Já a dita cuja, meu velho, além de ser chata à beça, inda vai arrumar pra tua cabeça...Dê logo um solene pé na bunda dela e corra alegre, altivo e sem culpa para o butiquim mais próximo.



Escrito por ÉfeSilva às 09h16
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1980: ORIGEM de um PROJETO

amesquinhado  em   sua  tardia   realização

Linha linha de montagem

A cor a coragem

Cora coração

Abecê abecedário

Opera operário

Pé no pé no chão

 

Eu não sei bem o que seja

Mas sei que seja o que será

O que será que será que se veja

Vai passar por lá

 

Pensa pensa pensamento

Tem sustém sustento

Fé café com pão

Com pão com pão companheiro

Pára paradeiro

Mão irmão irmão

 

Na mão, o ferro e ferragem

O elo, a montagem do motor

E a gente dessa engrenagente

Dessa engrenagente

Dessa engrenagente

Dessa engrenagente sai maior

 

As cabeças levantadas

Máquinas paradas

Dia de pescar

Pois quem toca o trem pra frente

Também de repente

Pode o trem parar

 

Eu não sei bem o que seja

Mas sei que seja o que será

O que será que será que se veja

Vai passar por lá

 

Gente que conhece a prensa

A brasa da fornalha

O guincho do esmeril

Gente que carrega a tralha

Ai, essa tralha imensa

Chamada Brasil

 

Samba samba são Bernardo

Sanca são Caetano

Santa santo André

Dia-a-dia diadema

Quando for, me chame

Pra tomar um mé

                                  

Linha de montagem

Novelli - Chico Buarque/1980



Escrito por ÉfeSilva às 09h37
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“INGRESSO FÁCIL?” ‘U CARALHU’!!!!!

A venda de ingressos para importantes jogos de futebol registra inúmeros casos de desrespeito ao público. A final entre Palmeiras e Ponte não poderia deixar de dar sua cota de contribuição ao cabedal dos absurdos. Fico com apenas uma:

Conforme divulgado pela Federação Paulista de Futebol (FPF) – que, nesta manhã de 30/04/08, excluiu o ‘post’ de seu sítio http://www.futebolpaulista.com.br/torcedor.php – os ingressos seriam vendidos a partir das 10:00 de 29/04/2008 nos seguintes postos de venda:

- Estádio Palestra Itália - Rua Turiassú

- Estádio do Pacaembu - Praça Charles Muller, s/n.

- Ginásio Ibirapuera - Rua Manoel da Nóbrega, s/n.

- Estádio do Canindé - Portão 07 Comendador Nestor Pereira, 33.

- Ginásio de Esportes José Correia - Av. Guilherme P. Guglielmo,1000

- Bilheteria Arena Barueri.

- Pitta Sports - Rua Silva Bueno, 1156 - Ipiranga

- Estádio José Bruno Daniel - R. 24 de Maio, s/n Sto.André.

- Shopping Moto e Aventura - Rua Barão de Limeira, 71 2º Andar

 

E também através do site: www.ingressofacil.com.br

 

Ocorre que não foi isso o que se verificou. Vários desses postos – Pitta Sports, Estádio Bruno José Daniel, para ficarmos SÓ em 2 exemplos – não venderam entradas para o jogo Palmeiras e Ponte. A talzinha da Pitta Sports limitou-se a colocar um papel de pão informando que os ingressos não seriam comercializados ali, mas sim no Palestra Itália. A empresa responsável pela confecção e venda dos ingressos – a cínica já de nome “IngressoFácil” – não cumpriu o divulgado pela entidade contratante: a FPF. Pior, a FPF e os clubes associados ‘lavam as mãos’ alegando que a culpa é da terceirizada. Ao torcedor comum, sobram desprezo, descaso, cambistas associados com funcionários de clubes e, claro, a truculência da PM. PM, aliás, que sempre é chamada para proteger a propriedade particular e não o público. Este, que se aglomerava desde a noite de 28/04 para comprar os caríssimos ingressos, teve motivos de sobra para um quebra-quebra. Felizmente para os donos disso e daquilo, a tragédia não ocorreu. Mas se ocorresse, ainda que a multidão tivesse levado da imprensinha a pecha de vândala e selvagem, certamente seria mais bem tratada em ocasiões futuras.  Afinal, como diria o Blanc, “quando o pastor late forte, o basset faz piu-piu”.



Escrito por ÉfeSilva às 05h47
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SEM    P A L A V R A S

simplesmente,  CLÉO PIRES



Escrito por ÉfeSilva às 08h37
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Contardo Calligaris no ‘Roda Viva’

Hoje  -  22:40,    na  TV CULTURA

 

Os entrevistadores selecionados para este ‘RodaViva’ são mais interessantes quando comparados aos de edições mais recentes.

Confira no: http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/

 



Escrito por ÉfeSilva às 13h26
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o  P  R  I  N  C  I  P  A  L

na     VIRADA  CULTURAL

 

Sem a ingenuidade dos Dimensteins da vida e com minha cara bem feia pra cima das ‘panelinhas’  que pautam boa parte dos eventos na cidade, é necessário reconhecer a relevância da VIRADA CULTURAL. Nesta de 2008, particularmente, destaco  a reedição do histórico show “O importante é que a nossa emoção sobreviva”. Márcia, Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro desfilam o repertório do disco de 1974 com o luxuoso auxílio deste que é o maior bamba da percussão que conheço: Ewerton Gordinho (ao centro na foto, agachado). Quando e onde? Teatro Municipal - 27/04/2008 – 12:00 .

 

De resto, ‘carai’, vire-se com a programação abaixo:

http://static.viradacultural.org/sites/viradacultural.org/files/virada_programacao_12.pdf

Na pegada!



Escrito por ÉfeSilva às 07h52
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E R U N D I N A

o demônio, segundo as dondocas

 

Uma das características das camadas médias e altas da hierarquia social da cidade de São Paulo é a total má vontade com iniciativas públicas à esquerda, quais sejam aquelas marcadas pela reorientação dos recursos orçamentários às regiões mais pobres. Dotadas de capacidade de pressão e repercussão de suas demandas na opinião ‘pública’ ( ou melhor, na opinião que se publica), as elites se indispõem contra posturas redistributivas. Lembram-se de Erundina? Quando ela colocou na pauta a tarifa zero para o transporte público - como contrapartida de maior taxação sobre a propriedade territorial - foi demonizada. E é sempre assim: os políticos que realizam políticas à esquerda “acabam com a cidade”, como gostam de dizer os apoiadores demostucanos. Enquanto isso, os almofadinhas e as dondocas não largam o osso por nada, ou melhor, não largam o filé. Em recente pesquisa, a propósito, a ONG Movimento Nossa SP  revela as disparidades dos recursos orçamentários em detrimento da maioria pobre. É interessante observar que, já no período analisado (2006), ninguém diz que o prefeito da rampa anti-mendigos está ‘acabando com a cidade’. Vejam mais detalhes no ‘link’ abaixo:

 

http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/04/24/ult23u2015.jhtm



Escrito por ÉfeSilva às 08h19
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Meu recente interesse por tênis

S H A R A P O V A



Escrito por ÉfeSilva às 08h17
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TUDO ‘BELÊ’!

À exceção da vitória alviverde sobre o Jardim Leonor,  os efeitos psicopatológicos da vida corporativa – aliados ao ‘espetáculo’ Isabella Nardoni e outros menos cotados – recolocam-me na trilha oscilante entre a razão e a  apatia.

 

Uma namorada? Sei não...

 

Sexo só sexo? É pra quem pode, não pra quem quer.  

 

Estudo? Talvez.

 

Música? Quem sabe.

 

Nesse estado, resta-me uma atitude: beber.

 

 



Escrito por ÉfeSilva às 13h00
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