Painel do Zéphir


BATUQUE NA COZINHA, SINHÁ NÃO QUER

Irmã das ‘panelinhas culturais’ sobrepondo as relações pessoais dos artistas em detrimento da arte que produzem, a  hegemonia  de uma ‘estética’ tida como adequada engessa alternativas de expressão. Inquieta-me, por exemplo, a simbiose entre produtores musicais e técnicos de estúdio que acabam por ‘limpar’ o som do samba. Ressalvadas raras exceções, caso o sambista não tenha domínio técnico absoluto de modo a traduzir o que exatamente deseja para a conclusão final, o registro da música ficará comprometido: sem alma, sem as características únicas de sua percussão, sem respiração própria. Especificamente no caso do samba, parece que a percussão deve pedir licença para entrar no estúdio. Tida como fonte de ‘sujeira’, de ‘ruído’, os produtores e técnicos musicais jogam a percussão ‘lá pra trás’. Quanto menos se ouvir a batucada melhor, inda mais se for possível gravar uma mesma ‘base’ para todas as músicas. E eis o paradoxo: justamente no momento em que os equipamentos sofisticam-se e, em tese, deveriam estar cada vez mais à disposição do desejo autoral; existe uma estética e uma técnica do registro musical que colocam o gosto do técnico acima da pretensão artística. Querem saber do que falo? Peguem os discos de samba dos 70 e os comparem com os atuais -em muitos deles, inclusive, os percussionistas são os mesmos. Ouçam e percebam quais são mais belos e espontâneos, quais são mais humanos. Viram? Mas é aquele negócio, ‘batuque na cozinha, sinhá não quer’. Voltaremos ao assunto mais pra frente.



Escrito por ÉfeSilva às 09h33
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Marginais da Turiaçu: antes e após a baderna

Guardadas as devidas proporções, não se enganem: em geral, os relatos amplamente divulgados sobre episódios violentos em estádios de futebol e arredores não coincidem com a realidade dos fatos. Eles ocultam o desrespeito ao cidadão e o preconceito a quem é da arquibancada. Findo o  campeonato paulista, um dos  destaques da ‘imprensinha’, sobretudo em se tratando de PALMEIRAS CAMPEÃO, ficou com  o ENTRETANTO, com o MAS, com o APESAR: a violência envolvendo PM e torcedores. A versão que ganhou manchetes? Evidente: a mesma que é dada quando a polícia executa pobre e preto na ‘perifa’ simplesmente por se ser pobre e preto.  A    versão     da POLÍCIA,  a versão  do ESTADO, ganhou a ‘imprensinha’. Por isso,  sugerimos    que    você    leia outro   relato,     bem mais próximo  da   realidade   dos    fatos,  no excelente http://www.observatorioverde.net/2008/05/06/a-agua-no-chopp/ . Até porque, instantes antes da confusão, eu - um típico ‘vagabundo’ e ‘marginal’ nos dizeres do grande jornalista e intelectual Flávio Prado - estava lá a participar da festa na Turiaçu desde as 11:30 exibindo, juntamente com minha irmã, família e amigos, as armas que vocês vêem nas fotos acima.  Peço licença pela liberdade e agradeço desde já ao Tiago Soares e ao Rafael Evangelista do OBSERVATÓRIO VERDE www.observatorioverde.net  pelo trabalho.



Escrito por ÉfeSilva às 05h21
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RACISMO     NA     VIRADA   CULTURAL

Em ‘post’ de 26/04/2008 fizemos menção singela à VIRADA CULTURAL e alertamos, de passagem, um aspecto negativo ligado à organização dos eventos, qual seja o fenômeno das ‘panelinhas culturais’ que acabam por privilegiar as relações pessoais dos artistas em detrimento da arte que produzem. Mas deixemos esse assunto para outro dia. Ainda que, por problemas de saúde, não pudesse freqüentar nenhum dos eventos da VIRADA, estranhei o local das apresentações ligadas à arte negra: P. Dom Pedro (Palácio das Indústrias). Local de difícil acesso, a escolha cheirou-me a confinamento, a controle via segregação e isolamento espacial. Infelizmente, parece ser isso o que ocorreu. ‘Colo’ abaixo trecho do ‘post’ do camarada Selito SD que, em seu blogue: http://selito-sd.blogspot.com/, relata sua  experiência na VIRADA. Simplesmente revoltante.

 

(....) Realmente o local destinado à black music e hip-hop e, conseqüentemente, a um maciço contigente do povo preto pobre, foi pensado de modo a segregar confinadamente aos pertencentes a tal segmento da população. Pareceu-me, e comentei com meus companheiros, que tudo foi planejado para que se repetisse o conflito entre platéia e polícia ( a exemplo de 2007), pois o modo como os policiais se portavam (muito arrogantes) e que causou alguma tensão e sentimento de muita indignação em todos que foram submetidos a tal situação, de agudo desrespeito, dava a entender que eles, talvez, quisessem mesmo que houvesse uma explosão. E diferente do ano passado, não haveria como ninguém escapar-lhes.

 

 

Cabe ressaltar que quando entramos na Praça Sitiada fomos abusivamente revistados, contra o que me insurgi. Não gostei do modo (muito agressivo) com que o policial que me revistou me pediu para abrir a mochila da qual ainda reclamou por estar "cheia de muita coisa", dando a entender que isso lhe dificultava o trabalho. Ostensivamente perguntei-lhe se estava bravo e disse que realmente tinha sim muita coisa e fitei-o como quem diz: "E daí?!" Ele, talvez me achando um chato e ou pela carapinhha grisalha liberou-me a entrada sem mais... Fosse um garoto e, penso, levaria uma tapa na orelha e seria detido por... desacato a autoridade, talvez.

 

Ao, enfim, passarmos pela tropa, dirigimo-nos a uma barraca para comprarmos umas cervejas e, simplesmente, não tinha uma latinha sequer para ser vendida. Aliás, bebida nenhuma e nem havia previsão de chegada e a festa nem estava no auge. Foi lamentável... E pareceu-me tudo muito proposital, essa foi a impressão no pouquíssimo tempo que lá estivemos, cerca de 1 (uma) hora, por conta do adiantado estado de cansaço que experimentávamos e mais todo esse tratamento recebido.

 

Lembro ainda que quando saímos havia uma enorme fila para revista e um rapaz pedia aos policiais que, ao menos, organizassem melhor o processo que estava muito atabalhoada e muito demorado, o que irritava sobremaneira as pessoas. Como já disse, talvez fosse este o objetivo das autoridades... Quem sabe?!

     (....)                         

 

Visitem o http://selito-sd.blogspot.com/ e leiam as íntegras do relato do Selito SD  e do artigo do professor Dennis de Oliveira.



Escrito por ÉfeSilva às 13h05
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CHUPA ESSA MANGA, IMPRENSINHA!!

Vão dizer que o campeonato paulista é ‘paulistinha’, que o Palestra Itália deve ser interditado, que o elenco alvi-verde não é lá essas coisas. Quando falarem do Palmeiras, mesmo que o fato essencial seja positivo, destacarão como sempre um MAS, um PORÉM, um ENTRETANTO....  Sabemos: isso é coisa de quem desdenha. O importante é que a pedra no sapato dos adversários voltou a incomodar. Para desespero daqueles que, por um lamentável equívoco, não são palmeirenses, eu grito: PALMEEEEEEEEEEIRAAAS – CAMPEÃO PAULISTA de 2008. CHUPA ESSA MANGA, IMPRENSINHA!!!!!!!!!!



Escrito por ÉfeSilva às 05h50
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